A maioria das pequenas empresas brasileiras tem origem familiar. Apesar das características desse tipo de organização serem vistas como vantagens competitivas — confiança, compromisso e valores compartilhados —, é preocupante o fato da gestão ser, predominantemente, informal.
Profissionalizar a gestão não significa anular as características peculiares da pequena empresa familiar, mas, sim, potencializá-las, ao mesmo tempo que se minimizam as suas fraquezas, como informalidade excessiva, amadorismo na gestão, mistura de espaços entre família e empresa.
No mundo empresarial atual, é necessário quebrar o tabu de que a micro e a pequena empresa precisam concentrar toda a sua força apenas na operação, voltar seu foco para garantir sua sobrevivência hoje, sem necessidade de pensar o amanhã. Nenhuma empresa sobrevive com condições de competir sem planejar o futuro desejado. Para assegurar uma maior longevidade às suas empresas, é preciso que os micro e pequenos empresários mudem a percepção sobre seu negócio, se apropriem de conceitos e ferramentas de gestão que efetivamente tragam mais produtividade, estimulem a equipe a trabalhar melhor, promovam inovação, gerem mais resultados.
Profissionalizar a gestão é, sim, fundamental. Isso não significa perda da autoridade ou do controle. Pelo contrário. Significa separar as dimensões da família e da empresa, muitas vezes misturadas e confusas, o que compromete a qualidade da gestão, tornando-as mais vulneráveis às oscilações do mercado e à concorrência.
Ter uma gestão estratégica competitiva é o que define a capacidade da empresa de garantir o seu lugar no futuro. Nas micro e pequenas empresas familiares, isso significa estar permanentemente atento às particularidades de sua gestão, de forma a tirar um bom proveito das vantagens de ser pequena e familiar, como a agilidade na tomada de decisões, e, ao mesmo tempo, saber lidar com as dificuldades inerentes a essa condição.